A luz apaga,
A porta bate:
Silêncio.
Fecho os olhos.
De repente, um estalo:
o vento.
Amanhã há de acabar este tormento.
Aos poucos, por detrás das pálpebras,
na escuridão, algo ganha forma.
De repente, uma sensação,
um sentimento novo me apavora:
Estou numa galeria sem tamanho,
na qual meu corpo enorme
nada é.
Luto, imóvel, desesperado, mas venço:
Abro os olhos, assustado:
Existo.
E não sou imenso.
Esta noite há de findar,
não demora.
A manhã há de acabar este tormento.
Tuan R. Fernandes - Fevereiro de 2013
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
sábado, 26 de janeiro de 2013
Retravestir-se
Num entardecer nublado de Janeiro, o senhor Julio Bandeira se travestiu. Tateou-se todo, trêmulo, enquanto mirava maravilhado sua imagem no espelho. Cinco minutos depois, caminhava lentamente pelas ruas do bairro, retravestido com sua boina, seu cachimbo e a velha tristeza estampada nos olhos.
Tuan R. Fernandes - Janeiro de 2013
Tuan R. Fernandes - Janeiro de 2013
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Pedraria
Supusestes uma pedra no meio do caminho
e, aos poucos, uma pedraria se fez.
O prenúncio de uma avalanche aterrorizou a todos.
Todos correram. Todos sumiram.
No fim, ficastes só, a sustentar este gigante imaginário.
Tuan R. Fernandes
2012
e, aos poucos, uma pedraria se fez.
O prenúncio de uma avalanche aterrorizou a todos.
Todos correram. Todos sumiram.
No fim, ficastes só, a sustentar este gigante imaginário.
Tuan R. Fernandes
2012
Bonde
Artur perdeu o bonde. Não tendo mais nada a perder, viveu o dia mais feliz de sua vida.
Tuan R. Fernandes
2012
Tuan R. Fernandes
2012
Alice
O mar beijou mil vezes os pés de Alice e sussurrou.
O que te faz tão triste?
Alice apontou para trás.
O continente?
Não, o passado!
Sua companheira observava de longe.
Sentia a tempestade chegar,
via as nuvens escuras no horizonte:
Desesperava.
Na primeira ventania, Alice se foi.
A casa ficou amarga. Sônia culpava o céu, o mar...
Meses depois, no metrô, viu-a descendo.
Ainda teve o impulso de... mas não, não era ela...
Dez anos voam. O túmulo continua bonito. Alice gostava de margaridas.
Ângela ficou sozinha por um instante, perto do carro.
Sônia aproximou-se e se ajoelhou:
Me desculpe,
Trezentos anos custam.
Sônia nada mais é. Ângela, carro, túmulo...
De Alice, sobraram alguns poemas.
Tuan R. Fernandes - Novembro de 2012
Alice apontou para trás.
O continente?
Não, o passado!
Sua companheira observava de longe.
Sentia a tempestade chegar,
via as nuvens escuras no horizonte:
Desesperava.
Na primeira ventania, Alice se foi.
A casa ficou amarga. Sônia culpava o céu, o mar...
Meses depois, no metrô, viu-a descendo.
Ainda teve o impulso de... mas não, não era ela...
Dez anos voam. O túmulo continua bonito. Alice gostava de margaridas.
Ângela ficou sozinha por um instante, perto do carro.
Sônia aproximou-se e se ajoelhou:
Me desculpe,
Trezentos anos custam.
Sônia nada mais é. Ângela, carro, túmulo...
De Alice, sobraram alguns poemas.
Tuan R. Fernandes - Novembro de 2012
Cavalo
Aquele cavalo enorme já viu o Oceano Índico. Cruzou todo o Irã e agora se banqueteia como um herói. Chegou ontem, trazendo meu pai morto. Quando eu crescer, estará velho demais para me levar ao Mediterrâneo.
Tuan R. Fernandes - Novembro de 2012
Tuan R. Fernandes - Novembro de 2012
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