Ah! Como gritavas por atenção...
Como suplicavas, aos berros,
um tanto assim de admiração.
E eu te admirei.
Teu desprendimento,
teu lugar naquele bar escondido
num bairro qualquer de Lisboa.
E como gostavas de aplausos...
- "Gritas bem, gritas bonito"
Falou aquele velhinho poeta,
que provavelmente foi você décadas atrás.
E eu concordei... "Gritas bem, gritas bonito".
Só não pude deixar de notar, e sentir pena,
do teu desespero.
Tuan R. Fernandes
quinta-feira, 21 de junho de 2012
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Tempestade
A correnteza é poderosa.
Desocupados, cheios do que fazer,
sobem e descem milhares de vezes,
navegando e reclamando,
embasbacados com a própria fraqueza.
Acorrentados aos assentos,
presos pelos olhos e pelos ouvidos,
assistem e alimentam o caos violento,
tentando ser alguma coisa, sabe-se lá para quem.
Tuan Roque Fernandes
Desocupados, cheios do que fazer,
sobem e descem milhares de vezes,
navegando e reclamando,
embasbacados com a própria fraqueza.
Acorrentados aos assentos,
presos pelos olhos e pelos ouvidos,
assistem e alimentam o caos violento,
tentando ser alguma coisa, sabe-se lá para quem.
Tuan Roque Fernandes
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Adeus
Morto! Morto! - Alguém lamentou ao fundo. Todos os Deuses estavam em silêncio, em choque. Muitos outros já haviam morrido, mas nunca daquela forma. Alá, o mais próximo do defunto, tremia-se dos pés à cabeça, em silêncio. Ódio, medo, tristeza? Quem sabe? Uma lágrima percorreu-lhe o rosto lentamente, perdeu-se nas barbas e instantes depois dispencou rumo ao chão. Morto! Morto! - Ainda lamentavam ao fundo - Malditos sejam! - Gemeu revoltado um dos anjos e todos concordaram em silêncio.
Tuan R. Fernandes
Tuan R. Fernandes
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Mentiras
Quem sabe dou um jeito.
Sou saudável e temente ao senhor:
Algo bom há de acontecer.
Ano novo nem chegou
e eu aqui com estas reflexões.
Minha boca de ator
e aqueles que me rodeiam
dizem que está tudo bem,
mas, aqui dentro,
o vazio é insistente.
Tuan R. Fernandes
Sou saudável e temente ao senhor:
Algo bom há de acontecer.
Ano novo nem chegou
e eu aqui com estas reflexões.
Minha boca de ator
e aqueles que me rodeiam
dizem que está tudo bem,
mas, aqui dentro,
o vazio é insistente.
Tuan R. Fernandes
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Agonia
Júlio se sentia tão pequeno e insignificante que parecia ter acordado do tamanho de uma formiga naquele mar de lençois. Sonhou com um galo cantando e acordou agoniado com um questionamento: "Quem estou sendo?" - Triste, afundou-se no travesseiro. A resposta era óbvia e o maltratava. Respirou fundo, tentou se levantar, mas não havia forças. Desequilibrou-se e desabou novamente na cama. Lá ficou, olhando para o teto... Uma vontade de rir, outra de chorar...
De repente ficou sério e se levantou decidido. Vestiu as calças, abriu a porta do quarto e saiu. Sua mãe e seu irmão deram um bom dia desanimado. Não foram respondidos. "Mas que falta de educ..." - Júlio a interrompeu mostrando-lhe a palma da mão com rispidez. Sua mãe se calou perplexa. Ele continuou andando, sem olhar para ninguém. Cruzou a sala e tomou o rumo da rua. Nunca mais voltou.
Tuan R. Fernandes
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Ansiedade
Deveras cedo nasceu em mim aquela ansiedade prepotente de quem se acha apto para agraciar o mundo com algo genialmente impressionante. Não sou pedante. Não posso ser, não sou ninguém. Talvez nem algo eu seja, exceto frustração.
Tuan R. Fernandes
Tuan R. Fernandes
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Desajeito
O homem inacabado
não tem posição
que lhe traga conforto
na cama.
Luta a noite toda
com o colchão
sem que seu corpo
torto possa encontrar
abrigo.
O pensamento
do homem inacabado
gira em falso
como as rodas de um carro
encravado na lama.
(Donizete Galvão - O Homem Inacabado)
não tem posição
que lhe traga conforto
na cama.
Luta a noite toda
com o colchão
sem que seu corpo
torto possa encontrar
abrigo.
O pensamento
do homem inacabado
gira em falso
como as rodas de um carro
encravado na lama.
(Donizete Galvão - O Homem Inacabado)
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