Viveu pouco o pouco tempo que viveu.
Tuan R. Fernandes
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
terça-feira, 10 de julho de 2012
O Fim
De repente, o silêncio e o escuro.
Quantos estão perto de mim?
Quantos gritam? Quantos sangram? Não sei.
Eu ainda estou vivo, disto eu tenho certeza,
porque algo dói em mim. Talvez tudo.
Mas tudo também é nada.
O que me incomoda mesmo é essa saudade chata, esta vontade de chorar.
Queria tanto não estar morrendo.
Tuan R. Fernandes
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Declamações em Alfama
Ah! Como gritavas por atenção...
Como suplicavas, aos berros,
um tanto assim de admiração.
E eu te admirei.
Teu desprendimento,
teu lugar naquele bar escondido
num bairro qualquer de Lisboa.
E como gostavas de aplausos...
- "Gritas bem, gritas bonito"
Falou aquele velhinho poeta,
que provavelmente foi você décadas atrás.
E eu concordei... "Gritas bem, gritas bonito".
Só não pude deixar de notar, e sentir pena,
do teu desespero.
Tuan R. Fernandes
Como suplicavas, aos berros,
um tanto assim de admiração.
E eu te admirei.
Teu desprendimento,
teu lugar naquele bar escondido
num bairro qualquer de Lisboa.
E como gostavas de aplausos...
- "Gritas bem, gritas bonito"
Falou aquele velhinho poeta,
que provavelmente foi você décadas atrás.
E eu concordei... "Gritas bem, gritas bonito".
Só não pude deixar de notar, e sentir pena,
do teu desespero.
Tuan R. Fernandes
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Tempestade
A correnteza é poderosa.
Desocupados, cheios do que fazer,
sobem e descem milhares de vezes,
navegando e reclamando,
embasbacados com a própria fraqueza.
Acorrentados aos assentos,
presos pelos olhos e pelos ouvidos,
assistem e alimentam o caos violento,
tentando ser alguma coisa, sabe-se lá para quem.
Tuan Roque Fernandes
Desocupados, cheios do que fazer,
sobem e descem milhares de vezes,
navegando e reclamando,
embasbacados com a própria fraqueza.
Acorrentados aos assentos,
presos pelos olhos e pelos ouvidos,
assistem e alimentam o caos violento,
tentando ser alguma coisa, sabe-se lá para quem.
Tuan Roque Fernandes
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Adeus
Morto! Morto! - Alguém lamentou ao fundo. Todos os Deuses estavam em silêncio, em choque. Muitos outros já haviam morrido, mas nunca daquela forma. Alá, o mais próximo do defunto, tremia-se dos pés à cabeça, em silêncio. Ódio, medo, tristeza? Quem sabe? Uma lágrima percorreu-lhe o rosto lentamente, perdeu-se nas barbas e instantes depois dispencou rumo ao chão. Morto! Morto! - Ainda lamentavam ao fundo - Malditos sejam! - Gemeu revoltado um dos anjos e todos concordaram em silêncio.
Tuan R. Fernandes
Tuan R. Fernandes
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Mentiras
Quem sabe dou um jeito.
Sou saudável e temente ao senhor:
Algo bom há de acontecer.
Ano novo nem chegou
e eu aqui com estas reflexões.
Minha boca de ator
e aqueles que me rodeiam
dizem que está tudo bem,
mas, aqui dentro,
o vazio é insistente.
Tuan R. Fernandes
Sou saudável e temente ao senhor:
Algo bom há de acontecer.
Ano novo nem chegou
e eu aqui com estas reflexões.
Minha boca de ator
e aqueles que me rodeiam
dizem que está tudo bem,
mas, aqui dentro,
o vazio é insistente.
Tuan R. Fernandes
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