quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Microcontos Arabescos

No instante em que se viu dominado pelos guardas do Sultão, Abu mirou o céu, desculpou-se e se desfez em pó.
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Salih deu a volta ao mundo. Fez-se de idiota, deitou e morreu. Quem imaginaria coração tão grande? "O mundo, na verdade, é um pires!". Salih nada falou, nada escreveu. Aos oito anos fez uma borboleta deixar de ser. Aos quinze, entendeu. Chorou quando lembrou do momento absoluto: "O mundo acaba ali".
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Farid avistou uma árvore turva. Banhou-se, divertiu-se, agradeceu... Quando voltou a si, olhou para o imenso deserto a sua volta e só viu areia. Pensou: "Foda-se, foi bom".
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Nasih prometeu: Ensiná-los-ia até que toda sua força se esvaísse. Aos 23 calou-se, velho.
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Minutos antes da cerimônia, Anan sentou para descansar. Pensativa, perdeu-se nos labirintos desenhados em suas mãos.
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No caminho de volta, enquanto marchava arrastando culpa e vergonha, Zafar viu uma gruta ao longe e abandonou sua tropa.
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Abeer se apaixonou pelo vendedor de tâmaras. Sorria-lhe, tímida, nos dias de feira. Ontem, recebeu um saquinho de damascos e sentiu desmoronar seu sentimento.

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Tuan R. Fernandes - Novembro de 2012

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Palíndromo Concreto

                          A
                       m   m
                    e           e
                 o                  o
              P                        P
                 o                  o
                    é            e
                       t        t
                           A

Tuan R. Fernandes

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

terça-feira, 10 de julho de 2012

O Fim

De repente, o silêncio e o escuro. Quantos estão perto de mim? Quantos gritam? Quantos sangram? Não sei. Eu ainda estou vivo, disto eu tenho certeza, porque algo dói em mim. Talvez tudo. Mas tudo também é nada. O que me incomoda mesmo é essa saudade chata, esta vontade de chorar. Queria tanto não estar morrendo. Tuan R. Fernandes

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Declamações em Alfama

Ah! Como gritavas por atenção...
Como suplicavas, aos berros,
um tanto assim de admiração.
E eu te admirei.
Teu desprendimento,
teu lugar naquele bar escondido
num bairro qualquer de Lisboa.
E como gostavas de aplausos...
- "Gritas bem, gritas bonito"
Falou aquele velhinho poeta,
que provavelmente foi você décadas atrás.
E eu concordei... "Gritas bem, gritas bonito".
Só não pude deixar de notar, e sentir pena,
do teu desespero.

Tuan R. Fernandes

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Tempestade

A correnteza é poderosa.
Desocupados, cheios do que fazer,
sobem e descem milhares de vezes,
navegando e reclamando,
embasbacados com a própria fraqueza.
Acorrentados aos assentos,
presos pelos olhos e pelos ouvidos,
assistem e alimentam o caos violento,
tentando ser alguma coisa, sabe-se lá para quem.


Tuan Roque Fernandes